Em 2026, IBS e CBS aparecem na nota com alíquotas de teste, e o recolhimento automático do imposto será implantado de forma gradual a partir de 2027. Entenda por que isso muda o seu fluxo de caixa.

Atualização em 14 de setembro de 2026

O split payment não está operando em transações reais em 2026. Em junho, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS publicaram a documentação técnica da plataforma pública do split payment. A Receita informou que fará testes internos ainda em 2026, que a implantação será gradual a partir de 2027 e que a ferramenta não estará totalmente operacional já em janeiro de 2027. O que vale em 2026 é o destaque de IBS e CBS nos documentos fiscais, com dispensa de recolhimento para quem cumpre as obrigações acessórias.

O que aconteceu

Com a reforma tributária, 2026 marca o início da fase de testes do novo sistema. Os documentos fiscais passam a destacar o IBS e a CBS com alíquotas de teste, de 0,1% e 0,9%, sem recolhimento efetivo para quem cumpre as obrigações acessórias. O split payment ainda não opera: sua implantação será gradual a partir de 2027.

O split payment, em bom português, é o recolhimento na fonte do imposto sobre consumo. Em vez de a empresa receber o valor cheio e recolher depois, o tributo passará a ser separado já no momento do pagamento, e o vendedor receberá apenas o líquido.

Análise Jurídica do Dr. Gustavo

A mudança parece técnica, mas tem efeito direto e imediato no caixa. Hoje, o imposto que você recolhe fica disponível por alguns dias, às vezes até o mês seguinte, e esse dinheiro funciona como capital de giro. Com o split payment, esse fôlego desaparece.

Quem mais sente são as empresas que vendem a prazo e trabalham com margem apertada, além do setor de serviços, que hoje paga ISS com alíquota baixa e caminha para a alíquota cheia de IBS e CBS. Para esses negócios, o ajuste do fluxo de caixa precisa ser planejado, não improvisado.

A boa notícia é que 2026 é ano de teste, com alíquota baixa e sem o split payment em funcionamento, e a própria implantação será gradual. É o momento ideal para simular o impacto, revisar preços e organizar os créditos a que a empresa terá direito, porque o crédito é o que evita a tributação em cascata. A pior estratégia é esperar a cobrança cheia para começar a pensar no assunto.

Minha orientação ao empresário é tratar a reforma como um projeto, com a contabilidade e o jurídico conversando. Decisão tomada com antecedência é planejamento. Decisão tomada na pressa vira remendo, e remendo em tributo sai caro.

Referências
Fonte: JOTA / Receita Federal.
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